quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Pedra da Estância (Itajubá-MG) - ago/14

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Pedra da Estância

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/PedraDaEstanciaItajubaMGAgo14.

Segundo o site da prefeitura de Itajubá, a Pedra da Estância tem 1300m de altitude e seria a terceira montanha mais alta do município, atrás da Pedra de Santa Rita (1900m) e da Pedra Aguda (1547m). Porém as medições que fiz com o meu Garmin deram um resultado um pouco diferente, sendo 1876m para a Pedra de Santa Rita, 1760m para a Torre do Chico (cume do Cantagalo), 1586m para a Pedra Aguda e 1642m para a Pedra da Estância, o que a mantém em terceiro lugar porém acima da Pedra Aguda. Polêmicas à parte (já que a medição foi feita com um gps portátil), meu objetivo era conhecer as montanhas mais altas do município. Tendo já subido as outras três, parti desta vez para a Pedra da Estância. O relato da Pedra Aguda, feita em forma de travessia, está em trekkingnamontanha.blogspot.com.br/2014/02/travessia-da-serra-da-pedra-aguda.html.

Peguei o ônibus da Pássaro Marron das 6h45 em São Paulo e desci na entrada do bairro da Estância às 10h44, no km 165 da rodovia BR-459. Esse local fica 6,6km antes do centro de Itajubá e 4,2km depois do trevo de Venceslau Brás e dali já é possível ver a imponente Pedra da Estância se elevando ao fundo. Altitude de 867m. Atravessei a rodovia e peguei a estrada de terra em direção ao bairro e à pedra. Em 20 minutos passei pela igreja do bairro. Cerca de 270m após a porteira da Cachoeira da Estância (famoso balneário local a 2,5km da rodovia), encontrei uma porteira com cadeado à esquerda e a pulei, exatamente onde a estrada faz uma curva de 180º para a direita. Subi pelo curto calçamento de blocos sextavados e continuei pela estradinha de terra, subindo à direita na bifurcação que surgiu. Cruzei a porteira seguinte e continuei subindo.

Às 11h58 peguei água numa mangueira que abastecia uma caixa-d'água e em seguida cruzei uma tronqueira. Ao final de uma ladeira em ziguezague encontrei um homem junto a um curral e confirmei o caminho que deveria seguir. Ele me orientou quanto ao melhor percurso mas duvidou que eu conseguisse chegar à pedra pois não encontraria o caminho certo lá no alto. Segui pela estradinha na direção de uma outra caixa-d'água e desci um pouco até uma porteira de arame, com um riachinho à direita e uma obra de calçamento da ladeira a seguir. Às 12h27 a trilha parece terminar num pasto com vacas e um pequeno telhadinho, mas procurando à direita do telhadinho reencontrei-a exatamente na direção desejada, ou seja, apontando para algumas araucárias e uma árvore de folhas vermelhas mais no alto.

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Serra da Água Limpa

Ultrapassada essa árvore segui pelo capim baixo na direção de outras araucárias e entrei na mata. Depois de 180m na mata, fui à direita na bifurcação mas depois descobri que tanto faz pois ambos os ramos alcançam um pequeno pasto mais acima que deve ser atravessado para reentrar na mata. Ali a subida se acentua e se faz em vários ziguezagues até atingir às 13h08 uma porteira com um aceiro do outro lado, o qual vem subindo da esquerda para a direita. Altitude de 1516m. Tomei o aceiro à direita e a subida foi forte por 11 minutos até alcançar o topo e imediatamente começar a descer. Nesse ponto mais alto notei uma trilha meio fechada à direita e entrei. Não me pareceu ser o caminho certo pois desceu bastante e estava fechada e pouco pisada, mas insisti.

Na parte mais baixa dessa trilha surgiu uma cerca à minha esquerda e a cruzei por cima de um tronco caído. Voltei a subir forte bem rente à cerca (à minha direita agora) mas ainda com mato meio fechado. No topo abandonei a cerca e quebrei 90º à direita, seguindo o caminho um pouco mais aberto. Em 30m alcancei as primeiras lajes da Pedra da Estância, às 13h32, na altitude de 1642m. Ali tinha visão apenas parcial da paisagem. Peguei algumas trilhas curtas pela vegetação e passei para outras lajes e mirantes até que encontrei a laje maior, com visão completa. Isso significa dizer que era possível avistar desde o Pico do Ataque à direita (sudeste) até o Observatório de Brasópolis à esquerda (oeste), passando pelo Pico dos Marins, Serra da Água Limpa, Serra da Pedra Aguda bem de frente e a Pedra Vermelha. No quadrante norte ainda se avista o Pedrão e a Serra da Pedra Branca em Pedralva e ainda o Pico da Bandeira de Maria da Fé. Uma paisagem arrasadora!

Iniciei o retorno pelo mesmo caminho às 15h15, passei pela Cachoeira da Estância às 16h58 e cheguei à rodovia às 17h29. Dali consegui uma carona para o centro de Itajubá.

Distância percorrida desde a rodovia BR-459 até o cume da Pedra da Estância (só ida): 7km
Desnível: 775m

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Vista do cume da Pedra da Estância

Informações adicionais:

A linha São Paulo-Itajubá pela rodovia BR-459 é feita pela empresa Pássaro Marron (www.passaromarron.com.br). Os horários são 6h45, 13h e 18h30, diariamente.

Cartas topográficas:
. Itajubá - http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SF-23-Y-B-III-3.jpg
. Delfim Moreira - http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SF-23-Y-B-VI-1.jpg

Rafael Santiago
agosto/2014

Percurso na imagem do Google Earth (clique na imagem para ampliar)

Percurso na carta topográfica do IBGE (clique na imagem para ampliar)

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Travessia Theodoro de Oliveira-Boca do Mato (Nova Friburgo-Cachoeiras de Macacu-RJ) - mai/2014

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As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaTheodoroDeOliveiraBocaDoMatoNovaFriburgoCachoeirasDeMacacuRJMai14.

A travessia Theodoro de Oliveira-Boca do Mato liga o bairro Theodoro de Oliveira, de Nova Friburgo, que fica na borda da serra (e faz limite com o município de Cachoeiras de Macacu), com o bairro de Boca do Mato, no pé da serra, já em Cachoeiras. É uma trilha muito fácil e bem marcada, dividida em duas partes. Na parte mais alta da serra percorre o traçado de uma estrada de rodagem desativada e na parte mais baixa o trajeto da antiga linha do Cantagalo da Estrada de Ferro Leopoldina, desativada em 1967 e da qual se pode ver apenas um pedaço de trilho, duas caixas d'água e a estação Pena, além dos restos das estações Pindorama e Agente Maia.

Texto do site Estações Ferroviárias do Brasil: "Entre Boca do Mato e Teodoro de Oliveira era a subida da Serra do Mar. No meio da Mata Atlântica exuberante, um dos mais belos passeios de trem do Brasil subia pelos trilhos do sistema Fell. Beleza roubada em 1967 pelo fechamento da linha" (http://www.estacoesferroviarias.com.br/efl_rj_cantagalo/boca.htm).

Em Cachoeiras de Macacu, peguei o ônibus para Nova Friburgo da empresa 1001 às 8h05 e desci no primeiro ponto depois do posto policial do alto da serra às 8h40. Voltei 200m pela rodovia RJ-116 e iniciei a travessia às 8h52 entrando na rua asfaltada à direita do posto, no km 65. Altitude de 1054m.

Depois de 400m a rua termina numa bifurcação: à direita uma rampa que leva a algumas casas e à esquerda o início da trilha, que ainda conserva o asfalto da antiga rodovia e até um alambrado, tudo sendo engolido pela mata ao redor. A curiosidade dessa primeira parte da travessia é justamente topar no meio da mata em vários momentos com o antigo asfalto, inclusive com as faixas contínuas centrais de ultrapassagem proibida ainda pintadas nele.

Logo no início parei para arrumar a mochila e fui alcançado por três rapazes que vieram descer a serra também, afinal era feriado.

Às 9h27, confirmando a exuberância de águas dessa região serrana fluminense, surge a primeira cachoeira, essa ainda bem discreta. Menos de 10 minutos depois, uma enorme erosão à esquerda arrastou muito da vegetação encosta abaixo. Às 10h08 uma cachoeira mais graciosa e 70m depois cruzamos o Rio Jacutinga, com maior volume de água, mas de passagem fácil. Às 10h23 surge intacta uma mureta de concreto da antiga rodovia. Às 10h40 outra pequena cachoeira e 5 minutos depois a primeira parte da travessia se encerra com a trilha retornando à pista da RJ-116 numa curva bem fechada. Altitude de 965m.

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Pico da Caledônia

Para a segunda etapa, desci pelo acostamento cerca de 750m e ao final de uma área gramada à direita entrei às 10h57 na trilha em meio ao capim e desci. Altitude de 920m.

Logo a trilha entra na mata novamente e encontro a caixa-d'água (datada de 1919) do posto de Registro da antiga linha férrea. Mas a surpresa veio mesmo às 11h18 ao identificar meio enterrado na lateral da trilha um pedaço grande do trilho. Três minutos depois reencontramos o Rio Jacutinga na primeira ponte da travessia, esta com piso de madeira e laterais de ferro, em ótimo estado e sem risco nenhum ao caminhante. À direita uma bonita cachoeira.

Às 11h30 a segunda ponte, essa bem mais alta e toda de madeira, também em ótimo estado, faz a travessia do Córrego do Tombo. Às 12h07 uma trilha à direita me chama a atenção e, ao explorá-la, descubro um belo túnel em forma de arco de pedra sobre o qual passei (e todos passam) sem se dar conta. A nota negativa aqui foi ter encontrado os restos de um piquenique recente bem nessa curta trilha, mas a limpeza foi feita e os restos dos porcalhões foram para o lixo em Cachoeiras de Macacu.

Às 12h35 uma trilha bem marcada descendo à esquerda chama a nossa atenção (nesse momento estava caminhando com os três garotos). Descemos para saber onde ela iria levar, tomamos a esquerda na bifurcação e chegamos à lateral de uma casa meio isolada, sendo delatados pelos cachorros. Fomos bem recebidos pelo caseiro/vigia do local, que nos mostrou a pequena represa do Rio Macacu, que segundo ele fornece água à cidade. Os rapazes aproveitaram a permissão para banho nos poços abaixo da captação da represa.

Às 13h14 estávamos de volta à trilha principal e em três minutos ela se abre num caminho largo gramado exatamente junto à antiga estação ferroviária de Pena com a inscrição RFFSA - EFL (Estrada de Ferro Leopoldina). Próximo dali uma placa nos lembra que estamos dentro dos limites do Parque Estadual dos Três Picos. Mais 270m cruzamos uma porteira e o caminho gramado vira uma estrada precária entre sítios.

Percorri esse trecho final tedioso de estrada mais rapidamente passando pelas ruínas do antigo posto de Pindorama à esquerda e pela pequena estação de Agente Maia à direita, ambas integrantes da Estrada de Ferro Leopoldina, e às 14h25 atingi o asfalto da RJ-116 junto a um bambuzal e a 100m do ponto final do ônibus Boca do Mato. Altitude de 287m.

Extensão da travessia: 13,8km (descontado o desvio ao Rio Macacu)
Desnível da travessia: 767m

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Antiga estação ferroviária de Pena

Informações adicionais:

Para chegar ao bairro Theodoro de Oliveira a partir de Cachoeiras de Macacu, pegue o ônibus da 1001 ou a van para Nova Friburgo e peça para saltar no ponto mais próximo do posto da polícia rodoviária do alto da serra.

A passagem Cachoeiras-Friburgo custa R$8,85 e os ônibus partem a cada 40 ou 50min de seg a sex, cada 50min no sáb e cada 1h a 1h30 no dom. Mas é bom verificar no guichê da 1001 pois eles costumam cancelar horários sem aviso prévio, o que causa revolta nos usuários.

Já se você vier de Nova Friburgo é só descer no ponto final do ônibus 405-Theodoro, justamente no posto da polícia rodoviária.

A kombi-lotação sai do bairro Boca do Mato para Cachoeiras de Macacu a cada 15 minutos diariamente, inclusive aos domingos. O ônibus sai a cada 1 hora.

Mais informações sobre as estações ferroviárias e postos da Estrada de Ferro Leopoldina podem ser obtidas no site Estações Ferroviárias do Brasil:
Registro: http://www.estacoesferroviarias.com.br/efl_rj_cantagalo/registro.htm
Pena: http://www.estacoesferroviarias.com.br/efl_rj_cantagalo/pena.htm
Pindorama: http://www.estacoesferroviarias.com.br/efl_rj_cantagalo/pindorama.htm
Agente Maia: http://www.estacoesferroviarias.com.br/efl_rj_cantagalo/agentemaia.htm.

Sempre peço para não deixar lixo nas trilhas. Se possível faça como eu, recolha todo o lixo que encontrar, descartando em local adequado na cidade, onde há coleta regular.

Carta topográfica de Nova Friburgo: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SF-23-Z-B-II-4.jpg

Rafael Santiago
maio/2014
Percurso da travessia na carta topográfica

Percurso da travessia na imagem do Google Earth

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Travessia Cardeal Mota-Lapinha (Serra do Cipó-MG) - mai/2014

Esta é a primeira parte da travessia Cardeal Mota-Lapinha-Fechados. A segunda parte esté em http://trekkingnamontanha.blogspot.com.br/2014/07/travessia-lapinha-fechados-serra-do.html.

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Cachoeira no Rio Parauninha

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaCardealMotaLapinhaSerraDoCipoMGMai2014.

Quando se fala em Serra do Cipó, podemos pensar em dois segmentos diferentes, ambos pertencentes à extensa e bela Serra do Espinhaço. O primeiro, ao sul da rodovia MG-010, seria a área de 338 km2 protegida pelo parque nacional criado em 1984, o outro seriam as terras mais ao norte dessa rodovia, composto de grandes propriedades particulares, mas onde também se consolidaram extensas e atraentes travessias, como a famosa (e demasiadamente batida) Lapinha-Tabuleiro.

Percorrer toda a extensão do Cipó norte foi o projeto a que me propus desta vez e que me proporcionou 7 dias de belas paisagens caminhando a maior parte do tempo no interior de um largo e infindável vale num dos degraus da porção oeste da Serra do Espinhaço. A idéia foi caminhar desde o distrito de Cardeal Mota (atualmente denominado Serra do Cipó, município de Santana do Riacho) até o vilarejo de Fechados, pertencente a Santana de Pirapama, passando pela Lapinha, também distrito de Santana do Riacho.

Vale lembrar que esse tempo de 7 dias se fez porque não havia pressa alguma, pelo contrário, havia tempo para curtir rios e cachoeiras, contemplar a paisagem, fotografar, explorar trilhas adjacentes para futuras travessias e, por que não, errar e corrigir o caminho.

Para relatar essa ótima experiência solo e não criar um texto longo demais, dividi a caminhada em duas etapas:
1. travessia Cardeal Mota-Lapinha (o texto abaixo)
2. travessia Lapinha-Fechados (http://trekkingnamontanha.blogspot.com.br/2014/07/travessia-lapinha-fechados-serra-do.html)

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Rio Parauninha

TRAVESSIA CARDEAL MOTA-LAPINHA

1º DIA:

Embarquei no ônibus da Cometa das 21h15 em São Paulo e cheguei à capital mineira às 5h15. No guichê da Saritur comprei uma passagem para Cardeal Mota (atualmente chamada de Serra do Cipó) que tivesse como destino final alguma cidade diferente de Santana do Riacho para poder descer em frente ao Camping da ACM, mais conhecido como Véu da Noiva, por causa da cachoeira em seu interior. Se eu embarcasse no ônibus com destino a Santana do Riacho teria de caminhar 2,8km pelo asfalto desde o centrinho de Cardeal Mota até o camping, o que eu quis evitar (correção em 02/07/14: os ônibus com destino a Santana do Riacho passam por Cardeal Mota e vão até o Camping da ACM, segundo me informaram, retornando em seguida ao trevo para seguir para essa cidade).

Peguei o ônibus das 6h30 e saltei em frente à placa da Véu da Noiva às 9h15, no km 104 da MG-010. Altitude de 767m. Me preparei para começar a caminhada e às 9h28 atravessei a rodovia e peguei a rua de terra em frente à portaria do camping. Após uma suave curva à direita, segui à direita na bifurcação e logo passei em frente à Pousada Carumbé. Uns 300m depois, abandonei a estradinha de terra e entrei numa porteira à direita onde se lê "Lapa Padre Borges". A partir desse ponto meu caminho seria por trilhas por dentro de uma matinha por cerca de uma hora. Pelas placas que se seguiram percebi que estava entrando no Grupo 3 do conjunto do Morro da Pedreira (a mais badalada área de escalada esportiva de Minas Gerais, segundo um site), e logo os paredões e pequenas trilhas até eles foram surgindo. Nas bifurcações, me mantive na trilha principal até que ela me levou a um ponto de escalada que deve ser o mais frequentado. Dali segui por uma trilha menos batida e me deparei com uma clareira com vários caminhos. Segui pela trilha bem em frente, que desceu para a esquerda e em 18 minutos passou ao lado de um riacho, a primeira água.

A trilha sai da mata, cruza um campo e às 10h53 alcanço um final de estrada de terra com uma casa à direita. Prossigo pela estradinha sombreada e cruzo com um caboclo à procura de um burro, que até me perguntou se eu o havia visto lá na mata de onde eu vim. Cruzo uma porteira de ferro e continuo à esquerda nas duas bifurcações que aparecem. Após uma curva fechada de 180º à direita, entrei na porteira branca à direita e desci suavemente pela trilha até as margens do Rio Parauninha. Gastei algum tempo à procura de um ponto para atravessá-lo sem tirar as botas mas não houve outro jeito. Cruzei-o ao meio-dia num ponto à direita de onde cheguei, num local bem pisado, até pelo gado que pasta por ali. Porém nesse local é preciso atentar para o fato de que o primeiro riacho é o Córrego Chapéu de Sol, um afluente, com o Parauninha mesmo correndo à esquerda. Portanto nesse ponto é preciso atravessar o primeiro córrego caminhando já para a esquerda para atravessar o Parauninha em seguida. A água chegou no máximo ao joelho e a correnteza não estava forte. Esse é o ponto mais baixo da travessia: 731m.

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Rio Parauninha com nível muito baixo após a barragem expondo o leito de pedras

Na outra margem uma cerca bastante cerrada obriga a caminhar pela trilha para a esquerda até uma porteira de ferro e depois uma casa no final de uma outra estrada de terra. Caminhei 460m pela estrada e topei com uma bifurcação em T: para a direita um portão alto fecha a passagem e uma placa velha avisa "área de acampamento interditada pelo Ibama". Segui então para a esquerda por apenas 100m e entrei numa trilha à direita da estradinha deserta. Uma clareira de areia confundiu um pouco mas foi só seguir em frente mesmo que a trilha reapareceu. Numa bifurcação fui para a esquerda e comecei a subir a serra por uma trilha bem marcada. À medida que subia a paisagem foi se alargando e pude visualizar todo o caminho percorrido até ali. Depois de algum tempo comecei a ver uma usina às margens do Parauninha, com acesso por aquele portão alto trancado. Depois descobri tratar-se da Usina Pacífico Mascarenhas, criada em 1929, que gera energia para a Cia de Fiação e Tecidos Cedro. Às 13h51 avisto uma grande cachoeira com um largo poço de águas negras, mas não encontrei nenhum acesso a ela. Às 14h03 atingi o topo da trilha, onde restam paredes de uma pequena barragem desativada. Dali em diante ela segue (meio fechada pelo mato) em nível pela encosta do morro, ao lado de um canal antigamente usado para suprir a pequena barragem. Do alto pude ver a situação do Rio Parauninha, com o nível muito baixo e todo o leito de pedras exposto formando um longo corredor de pedras até a muralha de uma barragem mais acima. Mais à frente existe uma saída à direita da trilha para essa barragem mas ela está interditada e com aviso de perigo de morte.

Às 15h cruzei um portão de madeira e ao lado dele uma placa de "entrada proibida - propriedade da Cedro", ou seja, estava saindo de uma área restrita da empresa e nem sabia. Cruzei o Córrego do Boi (de água boa, provavelmente; a segunda do dia sem contar o Parauninha), fui à direita na bifurcação e passei por um quebra-corpo ao lado de uma casa, alcançando um caminho largo e gramado. Desci à direita para ver novamente o Rio Parauninha e nesse local ele é bem largo e fundo e pequenas balsas feitas de tambores auxiliam na travessia. Aliás, esse seria um local alternativo a quem quer fazer essa travessia sem passar pela área proibida da Cedro, correndo risco de ser barrado e expulso.

Mas a descida ao rio foi só para vê-lo, meu caminho mesmo era para cima no caminho gramado. Do rio subi 320m e cruzei uma porteira de ferro com uma casa de tijolos aparentes à esquerda. Nesse ponto aparecem trilhas para todos os lados, mas as que me interessavam eram as que tomavam a direção oeste, rumo à Lapinha pelo vale, não pelo alto da serra. Portanto deveria entrar no vale à esquerda (oeste), exatamente do último ribeirão de água boa cruzado 20 minutos antes, o Córrego do Boi. Para isso, após algumas erradas, constatei que o melhor caminho é subir à esquerda logo depois da porteira de ferro por uma trilha inicialmente meio apagada que desemboca numa outra bem marcada, que deve ser abandonada após alguns passos para entrar numa outra trilha à esquerda que também começa bem apagada mas depois fica batida e é o caminho mais direto para o vale citado. A subida do vale é bem suave, com o rio principal à esquerda e alguns pequenos afluentes pelo caminho. Após cruzar o terceiro deles encontrei um bom local de acampamento e dei por encerrado o dia de caminhada, às 17h15. Altitude de 1152m. Ainda tive um tempo de luz para subir um pouco mais e apreciar um belo cânion atrás do qual o sol se punha, avermelhando as nuvens. Depois vim a saber que se tratava do Cânion das Éguas, outro local de escalada.

Nesse dia caminhei 14km.

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Pepalantus

2º DIA:

Do local onde acampei junto ao riacho saí às 8h13 e caminhei para oeste, subindo na direção do cânion, porém 100m antes de alcançar a sua borda abandonei essa trilha e fui para a direita (norte), sem trilha mesmo, na direção de um pequeno selado ou passagem. Cruzei uma cerca quebrada e encontrei um final de trilha que me levou ao alto e descortinou nova paisagem ao norte, além de proporcionar ampla visão do caminho percorrido ao sul, inclusive com algumas casas lá pros lados de Cardeal Mota. A trilha segue bem marcada porém continuar por ela não é a melhor opção pois é preciso subir ao topo da crista que corre à direita (leste) e a picada apenas leva a um campo e lá desaparece. É melhor então subir logo à crista à direita procurando pedaços de trilha (que aparecem e desaparecem) que vão em sua direção. Parei nessa subida para fazer uma ligação aproveitando o bom sinal da Claro e às 10h58 já caminhava na crista, agora por uma trilha bem marcada que acompanharei por muito tempo. Esse é o ponto mais alto dessa travessia: 1361m. Mas a trilha fica bem pouco no alto e logo começa a descer para a outra vertente. A vegetação ali estava toda queimada e por vezes tive dúvida da direção pois é mais difícil visualizar a trilha coberta de cinzas.

A descida abriu nova visão do caminho à frente e um grande vale recoberto de capim verde e dourado chamou a minha atenção pela beleza e pelo isolamento. Esse vale abriga as nascentes do extenso Córrego Mata-Capim, que será minha companhia, próximo ou a distância, até a chegada à Lapinha. Ao fundo avisto pela primeira vez a Serra do Breu, com os picos da Lapinha e do Breu nas extremidades do conjunto. A trilha me levou para dentro do bonito vale, quase uma miniatura da Lagoa Dourada, e o cruzei de ponta a ponta, o que rendeu algumas boas fotos. Às 12h08 a trilha se aproximou do Mata-Capim e aproveitei para almoçar, tendo o primeiro contato com suas águas límpidas (parada de 24 minutos). Na continuação, há um trecho em que a trilha se torna bastante pedregosa, cruza um colchete, um riacho e desemboca num vasto campo onde volta a ficar mais fácil caminhar (13h11). Porém ali a quantidade de trilhas de gado deixa dúvidas quanto ao melhor caminho. No geral, o ideal é manter-se mais à direita pois as trilhas da esquerda tendem a se afastar da rota e descer para o Mata-Capim.

Depois de cruzar uma vala seca e lindos campos floridos, às 14h35 atravessei o Rio Mata-Capim, passando a caminhar por sua margem esquerda. Um trecho de 120m de mata me lançou a um corredor de arbustos e samambaias que me arranharam os braços e enroscaram na mochila até desembocar num pasto com palmeiras e vacas de onde se avista novamente a Serra do Breu inteira. Na descida um curral junto às ruínas de uma casa e às 14h57 cruzo um riacho mais complicadinho me esgueirando pelo mato à esquerda. Nesse local os pontos marcados no gps me levaram a uma grande roubada e me fizeram bater cabeça por duas horas. O correto, depois eu descobri, é ir para a direita ao sair do riacho, descer até o Mata-Capim, cruzá-lo pelas pedras e continuar pela trilha bem marcada do outro lado. Porém eu não vi essa opção na hora e segui orientado pelos pontos que levei no gps (baixados do Wikiloc). Fui para a esquerda após o riacho e me meti num corredor de arbustos espinhentos e samambaias cheio de bifurcações que depois de 900m de arranhões me jogou numa ponta alta de crista com paredões e ribanceiras de todos os lados. Havia muito caminho de gado ali (estranhamente) e perdi um bom tempo percorrendo corredores para todo lado no meio da vegetação à procura da saída daquele lugar. Descansei um pouco, respirei fundo e voltei pelo mesmo caminho até o riacho, tendo arranhões em dobro. Ao chegar ao riacho, vasculhei e encontrei a trilha descendo ao ribeirão principal daquele vale, o Mata-Capim. Cruzei-o às 17h e decidi acampar ali mesmo pois logo iria escurecer e eu não sabia se havia um bom lugar à frente. Altitude de 1144m.

Nesse dia caminhei 9,5km (descontado o erro no final do dia).

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Cânion das Éguas

3º DIA:

Comecei a caminhar às 7h29 pela trilha bem marcada da margem direita do Mata-Capim e em 20 minutos, quando ele faz uma curva brusca para oeste, subi a encosta da esquerda e abandonei esse vale. Em tempo: nessa curva brusca para oeste ele entra no minicânion sobre o qual eu cheguei no dia anterior e fiquei sem saída. No alto encontrei novo corredor de vegetação alta de pouco mais de 230m, mas esse causou menos estragos nos braços. Em seguida a visão à frente se abriu e pude divisar novamente a Serra do Breu e abaixo à esquerda o vale para onde a trilha iria me levar. A longa serra mais à esquerda é a muralha natural entre o vale do Mata-Capim e a Represa da Usina Coronel Américo Teixeira, mais conhecida como Represa da Lapinha, a oeste. Às 8h19, já descendo ao vale, topei com um casebre de adobe semidestruído e na sequência um rio largo que desce do alto da serra à direita, o qual atravessei pulando as pedras sem dificuldade. Na outra margem, um colchete e outro corredor de samambaias. Mais 140m e a trilha cruza um riacho à esquerda e na sequência o mesmo rio novamente. Do outro lado, a continuação não era tão óbvia mas encontrei sem dificuldade. Mais 100m e a trilha reencontra o tal rio, porém dessa vez a continuação não foi tão fácil. Caminhei uns 40m para a esquerda pelo leito de pedras e subi do outro lado por uma abertura na mata ciliar, porém a trilha tendia a me levar para a esquerda, descendo mais o rio. Na verdade eu deveria seguir em frente e me afastar do rio, mas a vegetação fechada e uma cerca dificultavam. Procurei um caminho mais para a direita (subindo um pouco o rio) e encontrei, ganhando o campo após a mata. O Mata-Capim se junta a esse rio que vem do alto da serra em algum ponto nessas três travessias consecutivas, mas não visualizei isso na hora e não pude constatar com precisão o local pelos mapas.

Às 9h, uma legítima casa de taipa, adobe e sapé em bom estado chamou-me a atenção pela rusticidade e bom estado de conservação. Cerca de 200m depois dela, a trilha entra numa mata curta que termina num campo em que a trilha certa (direita) está um pouco apagada e tomada pelo mato, e uma outra (esquerda) leva para a mata à esquerda e desaparece. Me mantive à direita portanto até reencontrar a trilha bem batida na entrada da mata seguinte. Às 9h37 enfim piso em terreno conhecido: uma bifurcação junto a um riacho (à esquerda) onde o ramo da direita leva à Cachoeira do Lajeado e a esquerda à Lapinha. Não fui rever a cachoeira porque a estiagem este ano tem sido muito longa e ela devia estar com menos água ainda do que em junho de 2012, quando a conheci. Não valeria tanto os 940m de caminhada até ela. Desci portanto à esquerda, cruzei o ribeirão de pedras brancas e água verde-escura que vem da cachoeira, passei no quebra-corpo da cerca e fui anunciado com estardalhaço pelos cachorros da casa próxima, mas não havia ninguém, como da outra vez.

A partir da casa a trilha transforma-se numa avenida, afinal a Lapinha já está bem próxima e o lugar é um grande pasto às margens do Córrego Mata-Capim. Um pouco antes da porteira azul, às 10h13, parei para um breve descanso e acho que isso foi a minha desgraça pois mais tarde descobri que estava com o corpo infestado de micuins, um tipo de carrapato microscópico que ataca aos punhados. Novamente, como ocorreu ontem, a quantidade de trilhas de vaca confunde um pouco, mas também me mantive sempre nas trilhas mais à direita para evitar descer na direção do rio principal do vale. Abasteci os cantis no límpido riacho seguinte e atravessei 100m de mata logo após uma porteira verde. Após a mata já vejo o Mata-Capim caudaloso e largo abaixo à esquerda.

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Flores do campo no vale do Mata-Capim

Logo comecei a notar o aumento de contruções deste lado do rio e principalmente na colina do outro lado, sinal de que muitos forasteiros estão vindo para a Lapinha para ter sua casa de final de semana (que deve permanecer fechada a maior parte do ano...). Mas a primeira decepção veio em seguida, ao topar com uma cerca bem cerrada fechando o largo caminho. Pelo jeito, o proprietário da grande casa cor-de-abóbora construída ao lado não quer ver gente passando por ali e fechou a passagem para que outro caminho se consolide fora de seu terreno. Voltei 200m e bem na frente de um outro sobrado em construção peguei uma trilha estreita à direita que desceu a um córrego e subiu a uma porteira, após a qual retomei o caminho largo e batido para a Lapinha. Cruzei outro riacho e ao me aproximar da porteira seguinte atentei para as várias trilhas paralelas saindo para a direita que sobem a serra para a famosa travessia para o Tabuleiro.

Mais um riacho, mais duas porteiras e às 11h40 começo a contornar para a esquerda a extremidade norte da Lagoa da Lapinha, mas uma casinha em construção à direita, junto a uma cerca, me chamou a atenção. Placas em frente a ela alertavam para a proibição de bebidas e churrasco nas cachoeiras e na beira dos lagos. Depois ouvi falar que essa casinha será um local de cobrança de entrada para acesso às cachoeiras, todas pequenas e de pouca expressão, contudo fonte de água para a população do povoado. É, a Lapinha está crescendo desordenadamente como tantos outros lugares e a falta de consciência e educação das pessoas que a frequentam já começa a causar problemas e consequentes restrições. Terminei de contornar a lagoa, cruzei a ponte de concreto e cheguei enfim à Lapinha às 11h49, estacionando no primeiro restaurante que vi, o da Dona Lina, onde funciona um camping também. Ali matei a fome de três dias de caminhada com uma legítima comida mineira, simples e saborosa, servida no fogão a lenha. Altitude de 1098m.

Nesse dia caminhei 9,4km.
Distância total percorrida: 32,9km

Esse relato continua com a travessia Lapinha-Fechados, que postarei em breve.

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Serra do Breu ao fundo e Vale do Córrego Mata-Capim à esquerda

Informações adicionais:

As empresas que fazem São Paulo-Belo Horizonte são a Cometa (http://www.viacaocometa.com.br) e a Gontijo (http://www.gontijo.com.br).

Para chegar ao Camping da ACM (Véu da Noiva) deve-se pegar em Belo Horizonte:
1. qualquer ônibus da viação Serro (http://www.serro.com.br) que vá para ou passe em Conceição do Mato Dentro:
seg e qua: 6h, 8h, 9h, 13h, 15h, 17h
ter e qui: 6h, 8h, 9h, 11h, 13h, 15h, 17h
sex: 6h, 9h, 13h, 15h, 17h, 19h, 20h
sáb: 6h, 8h, 10h, 13h, 15h, 17h
dom: 6h, 8h, 9h, 13h, 15h, 17h, 19h, 21h

2. as linhas da empresa Saritur (http://www.saritur.com.br) que vão para Santana do Riacho, Carmésia e Morro do Pilar:
seg a qui: 6h30, 7h30, 14h, 15h15
sex: 6h30, 7h30, 14h, 15h15, 18h45
sáb: 6h30, 7h30, 14h, 15h15, 16h45
dom: 6h30, 7h30, 15h15, 20h

Carta topográfica de Baldim (http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SE-23-Z-C-III.jpg).

Rafael Santiago
maio/2014

Percurso do 1º dia na carta topográfica
Percurso do 1º dia na imagem do Google Earth
Percurso do 2º dia na carta topográfica
Percurso do 2º dia na imagem do Google Earth
Percurso do 3º dia na carta topográfica
Percurso do 3º dia na imagem do Google Earth

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Travessia Serrinha do Alambari-Visconde de Mauá (RJ) - abr/14

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Borda leste de Itatiaia

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaSerrinhaDoAlambariViscondeDeMauaRJAbr14.

Integrantes: Ronald, Amarildo, Rodrigo, Célio, Karine, Myung Lee e eu

Após a travessia Penedo-Serrinha do Alambari (relato em http://trekkingnamontanha.blogspot.com.br/2014/04/travessia-penedo-serrinha-do-alambari.html), passamos a noite na Pousada Conquista na Serrinha para no dia seguinte fazer a travessia para Visconde de Mauá.

Saímos da Pousada Conquista às 8h26 e tomamos a Estrada do Camping à direita, na direção dos condomínios Alto do Pinhal e Vale Verde. Subimos à direita na bifurcação com placas e alcançamos o portal dos citados condomínios às 8h38. Cerca de 200m depois entramos num segundo portal à direita e seguimos até as casas. O local estava deserto. Logo após a primeira casa descemos à direita acompanhando o calçamento, mas logo o abandonamos e cruzamos o gramado à esquerda na direção da mata ciliar até encontrar uma trilha bem marcada que nos levou num instante ao cristalino Rio Santo Antônio. Tiramos as botas e cruzamos o rio às 9h10 na altitude de 976m. Na margem oposta uma placa da RPPN Santo Antônio sinaliza a continuação da trilha.

Dali em diante seria uma subida longa e constante sob a sombra da floresta, num desnível de 683m até a saída da mata para o campo de altitude e mais 25m até o cume da serra.

Na parte mais baixa a trilha não é muito bem marcada e exige bastante atenção. Há algumas marcas de facão nas árvores. Na cota dos 1220m, às 9h51, paramos para um rápido descanso. Na altitude de 1439m, às 10h35, a subida se torna bem mais forte e cansativa. Às 11h alcançamos o acesso a uma fonte de água bem abaixo da trilha principal, com descida por uma picada escorregadia. Isso já nos 1564m de altitude. Apenas alguns do grupo desceram para saciar a sede na água geladinha. Ao pegar a minha mochila deixada no chão, vimos que um bicho-pau havia resolvido conhecê-la. Aproveitamos para fotos com esse curioso habitante da floresta.

A partir da água foram apenas mais 12 minutos para sair da mata e ter a espetacular visão das montanhas e vales ao redor (11h36). A borda leste de Itatiaia estava toda na nossa frente, porém seus principais picos, como Cabeça de Leão e Pico do Gigante, não estavam visíveis daquele ângulo. Reconhecemos apenas o Pico da Maromba, o Marombinha e a Pedra Preta (ou Pico Serra Negra) bem à direita (noroeste). Depois, olhando as fotos, consegui identificar também o maciço do Pico Cabeça de Leoa.

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Pedra Selada de Mauá

O cume estava muito próximo e boa parte do alto dessa serra é formada de arbustos e árvores pequenas. A trilha continua percorrendo a crista toda e proporciona visão para todos os lados. Dois mirantes à direita dão visão para a Serrinha, Penedo, Resende e o Rio Paraíba do Sul, com a Serra da Bocaina bem ao fundo. Mais adiante, ao atingir o cume de 1684m, às 12h07, a imponente Pedra Selada de Mauá se destaca no horizonte.

Paramos para um lanche na primeira sombra com mais espaço e às 12h52 demos início à descida. Pela nossa experiência anterior, de agosto de 2012, dali em diante começaria um vara-mato já que a trilha havia sumido sob a vegetação cerrada. Porém, para nossa surpresa, encontramos a trilha aberta e bem marcada nos 400 metros de descida até o riacho principal desse vale. No caminho cruzamos um regato com uma fina e alta cachoeira à direita.

O avanço até o riacho principal foi portanto bastante fácil, mas a moleza acabou ali mesmo. A vegetação de arbustos duros tomou conta do campo seguinte e escondeu a trilha. Tivemos alguma dificuldade para encontrar a sua continuação e depois fomos rasgando a vegetação baixa onde parecia menos fechado, com algum vestígio de trilha no chão, que só era visível abrindo os arbustos com as mãos. Tomamos a direção de algumas araucárias e após 400 metros de rasgação de mato encontramos uma trilha. Junto a uma araucária o mato estava roçado e dali para a frente não houve mais dúvida. Passamos por uma plantação de pinus, depois eucaliptos e descemos até encontrar uma estradinha coberta de capim às 14h05. Continuamos descendo à direita e em menos de 50m alcançamos uma outra estrada abandonada com postes de energia, onde fomos para a esquerda (tivemos informação depois de que à direita sairíamos no Vale da Grama).

Às 14h23 cruzamos um ribeirão raso pelas pedras, sem tirar as botas. À direita dele uma queda-d'água artificial, concretada. Mais 20 minutos e já estávamos nas primeiras casas da Fazenda Marimbondo, onde cruzamos o Rio do Marimbondo por uma ponte de alvenaria. As casas seguintes da fazenda também estavam todas fechadas e desertas, apenas um cachorro se incomodou com a nossa passagem, mas ninguém apareceu. Saímos pelo portão principal e caímos na estrada que vem do Vale do Pavão, a qual termina ali mesmo no portão da fazenda. Subimos menos de 200m e entramos na trilha à direita (1483m de altitude) que leva em menos de 10 minutos ao Poço do Marimbondo, aonde chegamos às 15h12.

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Pico da Maromba

Após o banho gelado dos corajosos, estávamos de volta à estrada às 15h40 para descer até a Pousada Flor da Serra, cerca de 3,4km dali, onde combinamos o encontro com o nosso resgate já que a kombi não conseguiria subir mais próximo. No caminho perdemos a conta de quantos deslizamentos de terra havia na estradinha, a maioria de barrancos desmoronados a soterrando, mas também de crateras que quase levaram-na encosta abaixo. Até o restaurante Babel os carros conseguiam chegar, dali para cima os deslizamentos impediam o tráfego. E disseram que tudo aconteceu com as chuvas da semana que passou.

Chegamos à pousada às 16h46 e o Sinval já nos esperava para nos levar de volta à Pousada Conquista, na Serrinha, para pegar os carros. Essa viagem durou 1h10.

Informações adicionais:

A travessia Serrinha do Alambari-Visconde de Mauá é uma caminhada que tem propriedades particulares nas duas pontas, portanto é recomendável ter um contato amigável e cordial com os proprietários e pedir permissão para a passagem.

Extensão da trilha (do Rio Santo Antônio ao acesso ao Poço do Marimbondo) - 6,3km

Altitudes:
Rio Santo Antônio - 976m
cume da serra - 1684m
acesso ao Poço do Marimbondo - 1483m

Carta topográfica de Agulhas Negras: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SF-23-Z-A-I-4.jpg

Rafael Santiago
http://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
abril/2014
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Percurso da travessia na carta topográfica

Percurso da travessia na imagem do Google Earth

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Travessia Penedo-Serrinha do Alambari (RJ) - abr/14

ImagemVale do Rio Alambari, já na chegada à Serrinha

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaPenedoSerrinhaDoAlambariRJAbr14.

Em um dia fizemos a travessia de Penedo à Serrinha do Alambari e retornamos. A volta foi por um caminho um pouco diferente da ida, um pouco mais longo, mas com a recompensa de uma bela cachoeira.

PENEDO-SERRINHA

Chegando a Penedo, atravessamos todo o centro, continuamos pela rua principal e deixamos o carro estacionado em frente ao Mercado Dois Irmãos (rodamos 3,8km desde o portal). Caminhamos 100m mais à frente e às 10h55 entramos na primeira rua à direita, a Estrada do Córrego Frio, com placa indicando o Hotel Campestre. Altitude de 431m. Imediatamente atravessamos a ponte sobre o Ribeirão das Pedras (segundo a carta) e passamos pelo hotel à esquerda. Seguimos por essa estradinha de terra subindo suavemente e fomos à direita na bifurcação que surgiu. A estrada termina, logo após uma pequena ponte, num portão de madeira maciça que está sendo instalado na entrada de uma casa em construção logo acima. A trilha começa à esquerda da casa. Se o proprietário resolver fechar completamente esse acesso, a travessia para a Serrinha do Alambari estará comprometida, a não ser que abram uma outra picada para atingir a trilha principal, coisa que investigamos e não encontramos.

À esquerda então da casa em construção começa a trilha em forma de estradinha estreita e bastante escorregadia por causa do limo verde sobre o chão de barro. Uns 200m acima da casa uma trilha à esquerda com corrimão de madeira meio podre nos chama a atenção e entramos. Ela leva a uma cachoeira com uma pequena ponte de madeira bastante carcomida e suspeita. Só o Ronald arriscou andar sobre ela e se aproximar um pouco da queda. Uma grossa tubulação acompanha o riacho, indicando a captação de água para a vila em algum ponto mais acima. Voltando à trilha/estrada principal subimos poucos metros e outra trilha à esquerda nos levou ao alto da cachoeira, onde pudemos ver que o sistema de captação de água não está ativo. Por essa trilha continuei ainda alguns metros mas o mato foi se fechando e ela apenas acompanhava o riozinho.

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A bela cachoeira encontrada na volta

Voltamos à principal e continuamos subindo. A trilha nivela e depois desce a um ribeirão com uma cachoeira de difícil acesso à esquerda. Cruzamos pelas pedras pois a antiga ponte se espedaçou toda. A partir dali o caminho começa a se estreitar e parecer mais uma trilha mesmo. Uma curta subida e o terreno estabiliza às 11h50 no ponto onde há um acesso à direita a uma bela cachoeira com poço e lajes formando um dique natural. Nesse local a trilha principal até se alarga um pouco novamente mas logo se estreita definitivamente. Continuando, cruzamos dois riachos e junto ao segundo encontramos um rancho à esquerda. Lírios-do-brejo e capim alto escondem um pouco a trilha nessa parte, mas ela está bem marcada no chão. Cerca de 100m depois do primeiro ranchinho surge um segundo, junto a velhos pés de jaboticaba (ou alguma espécie da mesma família), porém esse totalmente destruído, com as toscas paredes de pau-a-pique se esfacelando.

A partir dali a picada toma feições de trilha da Serra do Mar, com vegetação alta e exuberante, muitas nascentes e uma quantidade incrível de pés de palmito. Numa bifurcação às 12h25 tomamos a direita para explorar e avistamos uma cachoeirinha mais abaixo, mas a trilha termina no riacho acima dela. Voltamos à principal e continuamos subindo.

Às 12h40 alcançamos uma bifurcação importante. Numa clareira com pés de jaboticaba a trilha continua em frente mas há uma outra que sai à direita e desce ao córrego. Nesse ponto (e já há algum tempo) havia uma sinalização nas árvores feita com fitas rosa. Optamos por descer à direita, cruzar o riacho e seguir as fitas. Subimos por 12 minutos e atingimos às 12h52 o fim da mata e o início de um pasto que recobre uma grande extensão da face norte da encosta. Caminhando poucos metros à frente já tínhamos visão da estrada principal da Serrinha e as casas e sítios que antecedem a praça principal do vilarejo. Aqui a altitude máxima da travessia: 810m. Antes de descer, caminhamos um pouco à direita para tentar um visual do Vale do Paraíba e conseguimos avistar parte da cidade de Resende.

Descemos o pasto por uma trilha inicialmente larga que se estreitou depois, mas não houve dúvida quando visualizamos a casa do sr Celestino mais abaixo. Descemos em ziguezague e alcançamos a casa, que contornamos pela esquerda, com os cachorros denunciando a nossa passagem. Contornada a casa, caímos numa trilha, cruzamos o Rio Alambari por um tronco-ponte e às 13h40 chegamos à estrada principal da Serrinha, bem ao lado da ONG Crescente Fértil (http://www.crescentefertil.org.br).

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Resende vista da parte mais alta da travessia

SERRINHA-PENEDO

Para o retorno a Penedo, procuramos a trilha que supostamente sai da Pedra Sonora ou da Fazenda do Sr. Nicola, segundo informações vagas que tínhamos.

A partir da Crescente Fértil caminhamos 1,1km à direita até a rua que dá acesso à Pedra Sonora e depois 250m até a pedra. Ali fizemos um lanche e experimentamos as sonoridades produzidas pela curiosa pedra. A indicação que tivemos do sítio do sr Nicola não nos pareceu interessante pois nos afastava cada vez mais do pasto pelo qual descemos, e sabíamos que esse acesso deveria se juntar em algum ponto à trilha por onde viemos. Resolvemos voltar alguns metros antes da Pedra Sonora e pegar um acesso calçado com pedras paralelas à esquerda. Entramos numa chácara e conversamos com o rapaz que veio nos receber. Pedimos permissão e ele nos deixou passar e alcançar o pasto que termina bem atrás da propriedade, às 14h28.

Subimos o pasto na direção oeste e depois sudoeste avistando abaixo a casa do sr Celestino e acima o local por onde saímos da mata vindo de Penedo. Nesse ponto o Myung começou a sentir cãibras e resolveu voltar e nos esperar na Serrinha. Eu e o Ronald alcançamos a trilha que adentra a mata às 15h22, porém à direita dela um outro caminho bastante aberto nos chamou a uma nova exploração. Essa outra trilha está bastante pisoteada pelo gado e também bastante enlameada. Com 10 minutos de descida suave, pegamos a esquerda numa bifurcação, passamos sob um pé de mexerica carregado (porém todas verdes) e descemos forte com barulho de água à direita. Era uma alta e bela cachoeira, a mais bonita de todas, com um pequeno poço. Após algumas fotos, continuamos pela trilha plana e bem marcada que acompanharia o riacho e o cruzaria algumas vezes. Nesse trajeto foi colocado um barbante como orientação para uma corrida de montanha, provavelmente já realizada.

Às 15h55 alcançamos a clareira das jaboticabeiras onde desviamos à direita na ida. Esse caminho mostrou-se mais longo que o das fitas rosa (cerca de 550m) porém a cachoeira é o prêmio para alguns minutos a mais de caminhada. Dali em diante o caminho de retorno foi exatamente o mesmo e, sem voltar a nenhuma das cachoeiras, terminamos a trilha no portão da casa em construção às 16h45. Depois mais 15 minutos de estradinha de terra até o local onde deixamos o carro.

Informações adicionais:

Extensão da trilha na ida (da casa em construção à estrada principal da Serrinha) - 3,9km
Extensão da trilha na volta (da Pedra Sonora à casa em construção) - 5,1km

Carta topográfica de Agulhas Negras: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SF-23-Z-A-I-4.jpg.

Rafael Santiago
abril/2014

Percurso da ida na imagem do Google Earth


Percurso da ida na carta topográfica


Zoom in (real dimensions: 1024 x 678)
Percurso da volta na imagem do Google Earth


Percurso da volta na carta topográfica

quinta-feira, 20 de março de 2014

Pico Focinho de Cão (Piquete-SP) - mar/14

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Focinho de Cão e seu íngreme aceiro

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/PicoFocinhoDeCaoPiqueteSPMar14.

O Pico Focinho de Cão tem 1663m de altitude e se destaca na paisagem serrana da cidade de Piquete, lembrando uma imensa barbatana. Ele ocupa um contraforte da Serra da Mantiqueira e seu cume escarpado, assim como toda sua crista, é rasgado por um largo aceiro.

Tomando a rodovia BR-459 em direção a Piquete, rodamos 10km a partir da Dutra e entramos numa estrada de terra à esquerda. Seguimos por 7,6km e entramos numa porteira de arame à direita que dá acesso a uma estradinha secundária logo depois de cruzar um ribeirão por uma ponte estreita de madeira. Mais algumas porteiras e deixamos o carro próximo a uma casa. Altitude de 646m e dali em diante a subida seria toda a pé mesmo.

Às 8h03 demos início à longa pernada tomando a trilha larga à esquerda da casa e cruzando um colchete. Menos de 200m depois, após uma suave curva à esquerda, saltamos um riacho e seguimos em frente desprezando uma saída à direita. Passada mais uma casa, um galpão e outro colchete, começa a subida de verdade, por uma estrada abandonada e com pontos profundos de erosão. Na bifurcação em T mais acima fomos para a esquerda e a subida tornou-se ainda mais íngreme e cansativa sob um sol impiedoso logo cedo.

Às 8h54 finalmente entramos na sombra da mata, subimos mais um pouco e a trilha então nivelou até atingir um novo colchete. Ultrapassando-o, imediatamente deve-se abandonar essa trilha em favor de uma outra bem mais estreita e com início bastante discreto a partir de um degrau à direita. Porém esse local abriga a única fonte de água de todo o caminho e por isso descemos um pouco à frente para abastecer os cantis. Retornamos ao colchete e entramos às 9h24 na trilha mais fechada, agora à esquerda.

Não houve nenhuma dificuldade nesse trecho e em 14 minutos desembocamos num caminho mais largo, onde prosseguimos à esquerda. A partir daqui passamos a caminhar pela estrada de manutenção das torres de alta tensão, estrada essa bastante tomada pelo mato e reduzida a trilha em boa parte do percurso.
Zoom in (real dimensions: 912 x 684)Imagem
Marins, Itaguaré e a Serra Fina à direita

Cerca de 200m depois uma outra "estradinha" entronca à direita mas continuamos em frente pois essa saída termina num instante em uma torre. O mato a partir dali está mais alto e já tomando conta do caminho. Mais 350m e uma outra trilha sai à esquerda, porém leva igualmente a uma torre, e continuamos à direita (vale a pena subir poucos metros à esquerda para uma bela visão do pico, ainda muito distante). Às 10h enfim alcançamos o aceiro da Imbel, pontuado por marcos de concreto parecidos com pequenas lápides onde se lê FPV (Fábrica Presidente Vargas). Porém a estrada de manutenção continua à esquerda e preferimos caminhar por ela pois o aceiro tem muito sobe e desce e é muito exposto ao sol. Em 13 minutos pela estrada alcançamos uma bifurcação em T e seguimos para a direita, reencontrando o aceiro em mais 8 minutos, às 10h21.

Nesse ponto encontram-se vários caminhos. A estrada/trilha onde estávamos se divide em duas, sendo que a continuação em frente supostamente desce para a fábrica e a ramificação da esquerda corre paralela ao aceiro ainda durante bastante tempo. Cortando essa bifurcação está o próprio aceiro, bem mais acidentado. Por ser mais fácil e agradável caminhar pela estrada sombreada, seguimos subindo por ela à esquerda. E assim foi enquanto ela se manteve paralela ao aceiro, reencontrando ele ainda mais seis vezes, totalizando oito vezes. Na oitava vez a estrada se fundiu ao aceiro por cerca de 300m mas depois saiu novamente à esquerda, porém começou a divergir para sudoeste e a descer, o que nos fez abandoná-la e voltar ao aceiro (que a essa altura apontava diretamente para oeste) para seguir por ele até o cume.

Já estávamos a 1364m de altitude, havíamos vencido um desnível de 718m, porém o pior estava por vir: um desnível de 300m em apenas 1,1km! Nessa hora nos distanciamos um do outro pois as subidas muito íngremes e o forte calor testaram a resistência de cada um. A recompensa vinha em forma de uma paisagem cada vez mais ampla e estonteante. Por fim, cheguei ao cume do Focinho de Cão às 12h48 e registrei a altitude de 1663m. A visão é incrível, tanto do Vale do Paraíba pontilhado de cidades grandes e pequenas, quanto da própria Serra da Mantiqueira, cuja cumeeira corre separada do Focinho por um imenso vale. Ao norte as antenas do Pico do Ataque, a nordeste o imponente conjunto Marins-Itaguaré e ao sul uma imensa cachoeira desconhecida despencando num paredão da serra.
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Cume do Focinho de Cão

O que surpreendeu é que o pico é o final do aceiro e não tem nenhuma conexão com o topo da serra, onde também corre um aceiro. Todos os outros lados do pico, com exceção da face leste (onde está o aceiro), são abismos imensos.

O sol estava castigando mas conseguimos nos abrigar no meio de algumas árvores, porém o descanso não durou muito e às 14h demos iníco à descida, exatamente pelo mesmo caminho. O retorno foi bem mais rápido e às 15h26 já estávamos na confluência do aceiro com a bifurcação da estrada, aquela onde passamos às 10h21. Continuamos pela estrada, entramos na trilha mais fechada e alcançamos sedentos o ponto de água às 16h22. Um rápido descanso, saímos da mata e descemos pela estradinha abandonada até as casas, chegando ao carro às 17h46.

Informações adicionais:

O Pico Focinho de Cão fica numa área restrita e é necessário autorização da Imbel para subi-lo. Se for seguir esse relato sem essa permissão, vá por sua conta e risco.

A cidade de Piquete é servida pelos ônibus da empresa Pássaro Marron (http://www.passaromarron.com.br), porém se for de ônibus acrescente uma caminhada de 10km por estradas de terra até o início da trilha.

Cartas topográficas:
. Delfim Moreira: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SF-23-Y-B-VI-1.jpg
. Lorena: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SF-23-Y-B-VI-2.jpg

Rafael Santiago
março/2014

Percurso na carta topográfica do IBGE (clique na imagem para ampliar)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Travessia da Serra da Pedra Aguda (Itajubá-MG) - fev/14

ImagemPedra Aguda

As fotos estão em https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TravessiaDaSerraDaPedraAgudaItajubaMGFev14.

A travessia da Serra da Pedra Aguda é uma caminhada de largas e belas paisagens e um clássico entre os montanhistas da região de Itajubá. Resolvemos nesse fim de semana explorar essa trilha marcada por fortes subidas e descidas e para nossa surpresa fomos presenteados com a ótima companhia dos mais experientes trekkers locais.

Eu e o Ronald deixamos o Hotel Real logo cedo e rumamos para o bairro Medicina, na região central de Itajubá. Estacionamos o carro na esquina das ruas Orlando Mohalen e Delfim Moreira e às 8h10 demos início à pernada subindo a própria rua Orlando Mohalen na direção do prédio da Panorama FM (nordeste), já visível dali. Em 8 minutos cruzamos um portão elétrico de ferro e continuamos subindo pela rua calçada de blocos sextavados. Ao atingir o prédio da rádio por trás, avistamos a pequena estátua do Cristo e fomos em sua direção, ganhando o largo pátio. Apesar da pouca caminhada, a visão dali já era muito ampla, indo desde a Pedra Chita de Piranguçu a sudoeste até o Morro do Cantagalo a leste, com a cidade toda a nossos pés.

O nosso próximo objetivo também estava visível e bem próximo: o Morro das Antenas, coroado por um conjunto delas de tamanhos e formatos variáveis. Indo em sua direção dávamos início então à famosa travessia da Serra da Pedra Aguda. O começo é um tanto pitoresco, ao passar ao lado de uma casa e por dentro de um curral, com a devida licença do dono (e das vacas), para alcançar uma estradinha à direita toda coberta de capim. Ultrapassadas duas cercas através de quebra-corpo, às 8h52 já estávamos ao lado das antenas contemplando um visual ainda mais impressionante da cidade, das serras e montanhas. Já era possível distinguir melhor o Pedrão de Pedralva/Maria da Fé ao norte, visualizado por sua face recoberta de pasto e mata (suas faces oeste e norte são um alto e longo paredão de granito).

À esquerda das antenas um portão de ferro dá acesso a uma estradinha de terra que as atravessa e proporciona visão de algumas das montanhas que fazem parte dessa serra e estão no caminho da travessia, como o Pico do Galo e a própria Pedra Aguda. Depois de uma porteira e de uma outra antena solitária à esquerda, a estrada faz uma curva para a esquerda. E foi exatamente aí, 200m após a última antena, que deixamos a estradinha em favor do pasto em frente, caminhando por trilha muito bem marcada pela crista da serra. Trilha esta que logo está correndo entre arbustos e penetra enfim no frescor da mata, às 9h19. Seguimos à esquerda nas duas bifurcações seguintes e logo caímos numa outra estradinha de terra que sobe da esquerda. Fomos para a direita e num instante a ladeira se torna bastante íngreme e erodida, embicando na direção de uma torre de alta tensão, onde ela termina, ou melhor, transforma-se numa trilha que passa sob a torre, quebra para a direita e sobe até um paredão de pedra, às 9h44.
Zoom in (real dimensions: 912 x 684)Imagem
Pico do Galo

Pela altura e dificuldade desse paredão, uma corda foi fixada para apoio e segurança, mas nós tivemos a sorte de encontrar, além de uma corda novinha, duas escadas de metal fixadas na rocha, o que facilitou bastante a pequena escalada. Mas depois soubemos que esse privilégio só se deu pelos preparativos que a trilha toda está recebendo para uma competição a se realizar no próximo domingo, dia 16. Além da limpeza com facão, a trilha está recebendo uma nova sinalização com fitas laranja (em quantidade enorme, para ninguém botar defeito) e fitas zebradas para evitar que eventualmente se saia do caminho certo.

Depois da corda, a subida continua por trilha. Esse morro que estamos subindo é o Morro Grande (ou da Canastra) e atingida a altitude de 1252m, às 9h55, começa a descida. Uma passagem inusitada por um "caramanchão" baixo, de cerca de 1m de altura e alguns metros de extensão, deverá servir como obstáculo à pressa dos competidores durante a prova. Entre o arvoredo à frente já se avista um dos próximos picos a subir, o Pico do Galo. Na descida bastante íngreme do Morro Grande, alguns degraus foram escavados na terra e uma sequência de quatro cordas facilita a descida, evitando maltratar demais os joelhos. Ao final da descida, às 10h10, surge uma bifurcação em T onde seguimos à direita, subindo suavemente. Ao alcançar uma cerca, reparamos no enorme jequitibá à direita, talvez a maior árvore que se vê em toda a travessia.

Atravessada a cerca, tomamos a trilha que sobe forte à esquerda, rente a ela, iniciando a subida do pequeno Morro do Garnisé. A inclinação da trilha e a terra solta dificultam um pouco o avanço. Em poucos minutos a trilha cruza a cerca novamente à esquerda e atingida a altitude de 1275m, às 10h31, já estamos descendo o Garnisé. Aos 1247m iniciamos a subida do Pico do Galo, a princípio bem suave mas depois numa sequência de trepa-pedras. Até aqui já havíamos alcançado um casal de Itajubá que começou a travessia um pouco à nossa frente, mas no cume no Galo, às 11h05 e 1395m de altitude, conhecemos todo o pessoal que estava fazendo a travessia e a manutenção da trilha para a competição, num total de 14 pessoas.

Após um breve descanso, seguiu-se a descida do Galo, novamente íngreme e com terra solta, até alcançar uma grande clareira com uma enorme touceira de bambu no meio. O que marca esse local também é a trilha que sai à direita e desemboca na estrada que liga a cidade ao bairro de Anhumas, dando a possibilidade de fazer meia travessia da serra apenas.
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No mirante da Pedra Aguda

A subida a seguir se abre para um pequeno pasto à direita e proporciona bela visão dos picos seguintes: a Pirâmide e a Pedra Aguda. Mais à frente cruzamos uma cerca e atravessamos um trecho de mata de uns 300m que nos lançou a outro grande gramado, assim que pulamos outra cerca. Novamente o grupo fez uma pausa para descanso e jogar conversa fora. Partimos às 11h54 e dali em diante começamos a subida do Pico da Pirâmide pela trilha que percorre a parte mais alta do pasto, bem junto à mata à esquerda, até adentrá-la por fim. Às 12h28 passamos rapidamente pelos 1532m do cume da Pirâmide, descemos aos 1483m e iniciamos enfim a subida da Pedra Aguda, o último e mais alto dos picos dessa serra. O avanço foi um pouco lento pois o grupo da frente ia limpando a trilha com facão e amarrando fitas laranja para reforçar a sinalização. Eles disseram que as fitas vermelhas são as mais antigas, da época da abertura da travessia, em 2006. A direção geral da travessia, que era para o sul, passa a ser grosso modo para sudoeste.

E assim às 13h20 atingimos o cume da Pedra Aguda, a 1587m, segunda montanha mais alta do município de Itajubá, perdendo apenas para a Pedra de Santa Rita (ou Pedra do Rio Manso). O mirante natural que se tem está voltado para os quadrantes norte e oeste, em que se avistam a Pedra Vermelha e o observatório de Brasópolis a sudoeste, e Itajubá, o Pedrão de Pedralva/Maria da Fé e a Serra da Pedra Branca de Conceição das Pedras/Cristina ao norte, além é claro de uma infinidade de montanhas e serras a perder de vista.

Após um descanso, um lanche e muitas fotos, às 13h54 demos início à descida final da serra mergulhando na sombra da mata novamente através de uma trilha bastante íngreme e de altos degraus naturais de raízes e pedras. Pela forte inclinação, a descida foi rápida. Aos 1380m, numa grande clareira, a descida suaviza e a trilha quebra para a direita e começa a acompanhar uma cerca. Logo a sombra da mata fica para trás e o sol inclemente passa a ser nosso companheiro enquanto cruzamos o pasto à esquerda na direção de um final de estrada de terra vermelha.

Seguindo pela estrada cruzamos uma porteira de arame e tivemos a última visão da cidade de Itajubá para trás num lugar chamado de Portal. Às 14h45 chegamos à Gruta do Quilombo, à direita da estradinha, cercada por lendas mas que se resume apenas a uma boca com rochas desmoronadas e muitos morcegos lá dentro apesar da luz que entra pela frente e por uma abertura no fundo. A turma toda se reuniu de novo para a descida final da estrada em direção aos carros, estacionados mais abaixo. Apesar do grande número de pessoas, nos ofeceram carona até a cidade, o que aceitamos sem pestanejar já que isso nos pouparia 7,5km de estrada num calor desumano.

Da gruta então bastou continuar descendo e atravessar outra porteira de arame. A visão do paredão rochoso da Pedra Vermelha bem mais perto é sensacional. Já nos carros, às 15h36, foi só cruzar a última porteira de madeira e cair na estrada de terra que vem de Itajubá (direita) e vai aos bairros Berta e Estância (esquerda). Após uma breve parada num sítio do caminho, às 15h57 estávamos de volta ao carro, deixado no bairro Medicina, agradecendo a mais que bem-vinda carona.

Se fosse sábado, teríamos a opção de voltar ao centro pegando o ônibus que sai do bairro Berta às 17h15 e tem ponto inicial no mercado municipal de Itajubá.
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Pedra Aguda

Informações adicionais:

Importante: essa travessia não possui nenhuma fonte de água. Deve-se levar toda a água a ser consumida. Felizmente não é uma travessia muito exposta ao sol, há muita sombra da mata, mas se a volta for a pé pela estrada é bom se precaver com chapéu, protetor solar e mais água.

Horários de ônibus Itajubá/Berta:
Expresso Valônia - fone 35-3621-1414

. de Itajubá (mercado) ao bairro Berta:
seg a sáb - 5h45, 12h e 16h30
dom e feriado - não há

. do bairro Berta a Itajubá (mercado):
seg a sáb - 6h30, 12h45 e 17h15
dom e feriado - não há

Carta topográfica de Itajubá: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SF-23-Y-B-III-3.jpg

Rafael Santiago
fevereiro/2014
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Travessia na carta topográfica do IBGE (clique na imagem para ampliar)




Travessia na imagem do Google Earth (clique na imagem para ampliar)